Gastronomia por Roberta Sudbrack
24/11/2006 ..
Avante confraria!
Segundo a nossa Presidente, esse deve ser o post de número 94, então estamos a seis passos do paraíso! Isso me lembra a Blitz, que eu adoro: “longe de casa, há mais de uma semana... Estou a dois passos do paraíso...”.
Aqui estamos nós a milhas e milhas, aparentemente distantes um do outro, mas tão perto, tão unidos e conectados, que até os oceanos não são páreo para a nossa vontade.
O texto do EGO me emocionou profundamente. Tá bom, eu sei que eu me emociono até com abóboras e chuchus! Mas assim como vivo à procura da outra dimensão da abóbora e do chuchu, o texto do Ego conseguiu me transportar para uma outra dimensão desse espaço.
Acho que me empolguei tanto com o prazer de escrever, com a sensação de interagir, a alegria de compartilhar, que acabei não me dando conta do tamanho dessa história.
Lendo o texto do EGO - melhor dizendo: a homenagem do EGO – percebi detalhes sutis de uma história profunda, que eu imaginei só tocassem as almas de quem ancora por aqui. Percebi que rompemos essas barreiras também e que a nossa alegria literalmente atravessou a mar, me deixou, digamos assim: com o ego nas alturas!
Agradeço principalmente ao “Grande Ego” pela oportunidade de conhecer, trabalhar e aprender a interagir com essa ferramenta tão nova e fascinante. Pela paciência com as nossas loucuras e demandas. Pela alegria de estar aqui todos os dias, vivendo esse momento lindo. Pela acolhida e principalmente pelo trabalho de equipe, tão necessário numa cozinha!
Levando em consideração o velho ditado que diz que: o melhor lugar da casa é a cozinha... Pode entrar que a casa é sua, e a cozinha está em boas mãos!
Até!
23/11/2006 ..
100!
Ouvi falar que chegaremos ao marco de 100 posts, um dia desses. Ainda não consegui contar, mas acredito que falte pouco mesmo, afinal “quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo...” e me empolgo!
O EGO está orgulhoso do nosso feito e quer fazer bolinho de aniversário, cobertura completa, mega entrevista e festa de arromba! Nem com todos os títulos de Chef do Ano que arrebatamos nessa temporada fomos tão bajulados! Acho que aqui estamos bem na foto... De vez em quando acho até que eles esqueceram do fatídico dia 3! Que tal a gente fechar a Marina da Glória, chamar o Fat Boy Slim e se acabar? Merecemos alguma coisa nesse nível, afinal cem posts não é para qualquer um! Não é mesmo!
Nunca achei que fosse curtir tanto alguma coisa que não fosse algo ligado à cozinha, mas essa história de escrever me pegou de jeito. Faço com enorme prazer e sem querer, voilá, descobri um hobby!
É, escrever aqui é o meu hobby! Pronto, já tenho um!
Outro dia cheguei à conclusão de que tenho que ter um hobby! Preciso, todos me cobram e quando vou dar entrevistas, pronto, essa é a pergunta inevitável: “qual é o seu hobby?”. Andava com problemas quando chegava a hora de responder a essa pergunta, porque tudo o que eu gosto, ultimamente, não tenho tido tempo de fazer. Exclua-se aí cozinhar, claro!
Gosto de fotografia. Adoro fotografar em preto e branco, mas acho que a minha máquina já enferrujou, além de ser do século passado e da fotógrafa ser uma boa cozinheira!
Adoro andar de scooter. Sentir o ventinho no rosto, gritar sozinha na orla de Ipanema: “aaaaaaah!”. Mas o máximo que consigo de vez em quando é ir de scooter para o trabalho, correndo e rezando para dar tempo de fazer tudo o que esperam de mim! Gritar, só de desespero quando pego a agenda do dia!
Adoro ir ao cinema. Domingo para mim é dia de cinema! Querem saber há quantos meses isso não acontece? Melhor eu não dizer, vai ficar chato e vou ficar pesando no que uma amiga me disse ontem quando eu respondi que não iria numa festa porque estaria trabalhando: “você está ficando muito chata, não vai a lugar nenhum, só convive com o pessoal da cozinha, não tem nem mais conversa! Acho que você só tem amigos ainda porque a gente te ama!”. Thank God!
Adoro viajar, mas essa parte a gente pula, vocês já sabem o final! No máximo: Angra hoje, com retorno hoje!
Adoro hotéis. Sou capaz de cruzar oceanos para me hospedar em algum hotel dos meus sonhos. Posso gastar todo o meu dinheiro neles, se tiver banheira, então, trato logo de pedir late check out! Mas ultimamente não tenho conseguido fazer nem o check in!
Bem, até ontem eu tinha um problema: não ter um hobby.
Hoje não tenho mais!
Vocês são o meu hobby! Com vocês eu viajo a qualquer tempo, me hospedo nos lugares mais incríveis do planeta, imagino cenas de todas as cores e transporto para a minha câmera interna em preto e branco para ficar mais filme noir! Grito quando quero o que quero! Vejo filmes mais interessantes do que o do circuito nacional! E o melhor de tudo: vivo por inteiro essa aventura!
100? Que venha a festa dos 1000!
Até!
22/11/2006 ..
Missão quase impossível, to be continue!
Pan, pan, pan, pan, pan, pan...Pan, pan, pan...Chararam, chararam, charam, chan, chan!
Enfim aportamos, mas, mesmo diante da crise, devo admitir, não deixamos de curtir o ventinho no rosto, a sensação de liberdade e a adrenalina do incerto. È, às vezes a gente não se dá conta de que a vida precisa de pausas...Mesmo que sejam pausas assim, ininterruptas!
O "SubSuper" estava precisando. É muita pressão em cima de um pernambucano só! Nesse dia, navegando juntos - nesses momentos, quando se tem um relacionamento bom com a equipe é inevitável a troca de confidências - ele me disse achar que não está preparado para ser o subchef da Roberta Sudbrack. Achei forte. Um exercício de maturidade de alguém que estou vendo crescer. Olhei para ele, sorri e disse: "Não se preocupe. Ás vezes nem eu estou preparada para ser Roberta Sudbrack. Mas vamos em frente assim mesmo!"
E fomos. Atracamos, descarregamos, vestimos o nosso jaleco - mas continuamos de bermudinhas - cena imperdível! Acomodamos todos os peixes na nossa frente, para olhar para eles e decidir: o que fazer? A essas alturas já eram 16h e, para a nossa sorte, metade dos convidados estavam atrasados.
Tínhamos um script nas mãos, mas seria prudente seguí-lo? Quem disse que somos prudentes? Seguimos! Não só seguimos, como seguimos ao pé da letra, com direito a forno a lenha e tudo! Desde que soube desse tal forno à lenha, não parei de sonhar com ele um só minuto e da estrada já pedi para que fosse aceso bem cedo. Agora mais do que nunca não poderia fugir da raia!
Não me perguntem como, mas às 17h15, não por nossa causa, mas pelo atraso dos convidados, servimos britanicamente, assim que nos foi solicitado, o seguinte menu:
Tartine de sardinha marinada
Atum em couscous de pinólis
Camarões assados em geléia de pimentão (em forno à lenha, é claro!)
Risoto de cavaquinha e cardoncello defumado (em forno à lenha, é claro!)
Cherne em panzanella
Tortinha folheada de maçã (assada em? Forno à lenha, é claro!)
Com direito a muito Pinot Gris da Alsácia, Chablis e pôr-do-sol! Tudo de bom!
Jamais me esquecerei de duas cenas lindas: a luz das brasas do forno à lenha iluminando as tortinhas de maçã, enquanto o subsuper segurava emocionado e orgulhoso, aquele instrumento que o pizzaiolo usa para colocar e retirar as pizzas do forno. E da Patrícia e David mergulhando no mar assim que entramos na lancha para fazer o nosso caminho de volta.
Foi diversão pura e da boa, aventuras de uma equipe de cozinha, fora dela!
Moral da história: "Navegar é preciso, viver não é preciso".
Até!
21/11/2006 ..
Missão quase impossível!
Pan, pan, pan, pan, pan, pan…Pan, pan, pan…Chararam, chararam, charam, chan, chan!
Sábado, seis da matina, SubSuper a postos na cozinha da nossa casinha laranja, carregando nosso SudDoublô para mais uma aventura out of kitchen! Oito da matina pegamos a estrada rumo a Angra dos Reis, onde às 16h serviríamos um almoço.
Tanque cheio, peixes fresquíssimos, provavelmente pescados em Angra! Mas eu que não nasci ontem e já apanhei demais da vida, resolvi me precaver. Cherne, cavaquinhas, atum, camarão gigante – mais parecia uma lagosta! – e sardinhas vivas, todos devidamente pescados de madrugada, lá por aqueles lados, foram entregues no restaurante pontualmente às seis da manhã pelo nosso fiel pescador, e devidamente transportadas de volta para o seu lar doce lar com todo o carinho e conforto!
Parecia tudo tranqüilo, normalmente essa viagem dura no máximo duas horas. Então estávamos bem, chegaríamos por volta das 10h30, embarcaríamos na lancha que nos levaria até a ilha onde prepararíamos um almoço regado a peixes e frutos do mar, bem ao estilo vida boa.
Tudo bem, todos de bermudinhas, bonés e aquele sorriso típico das aventuras out of kitchen, onde tudo, tudo mesmo, pode acontecer! Tudo bem, exceto por um pequeno detalhe: véspera de feriado! Traduzindo: estradas cheias, engarrafamento, sufoco!
11h e nós na estrada! 12h e nós na estrada! 13h e nós na estrada! 14h e nós? Na estrada!
Chegamos por volta das 14h30 e só meia hora depois disso, estávamos devidamente acomodados na lancha, mar à dentro cantando, todos no mesmo tom, aquela musica do filme missão impossível. Para completar a odisséia, assim que o marinheiro pisou no acelerador e acertou o nível de cruzeiro, o tempo fechou. Fechou para valer, com direito a vento, trovoadas e pingos de respeito.
Nos olhamos, nos olhamos e nos olhamos. O que mais poderíamos fazer? Aportamos na ilha por volta das 15h30 com uma idéia de menu na cabeça, muitos peixes na bagagem e a expectativa de uma tarde animada!
To be continue...
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